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Seja chefe do seu dinheiro – Parte 3

E se eu disser que o saldo do seu banco é um grande “mentiroso” que só atrapalha sua vida? Entenda porque você deve ESQUECER o que seu banco te “conta”.

Nos últimos dois posts detalhei os dois primeiros passos para o controle financeiro: 1. Anote seus gastos em categorias e 2. Gaste menos e destine tudo. A terceira e última etapa desta série trata do principal problema da maioria dos trabalhadores: no final do mês o salário simplesmente sumiu!

3. Esqueça o saldo do banco

Imagine que você queira comprar uma calça jeans que custa R$200 e possui R$1.300 no banco. “Trabalhei muito este mês e mereço me dar um presente! E afinal de contas, tenho todo esse valor disponível no banco! Isso não vai ser um problema”. Será que isso é verdade?

Veja abaixo duas formas de se analisar a situação.

a)    Consultando o saldo do banco

Ao analisar apenas o saldo do banco, você conclui o óbvio: “O que são R$200 comparados aos R$1.300 que eu tenho de saldo?” e decide comprar a calça. No final de semana gasta mais R$100 em algumas saídas com os amigos (o que normalmente não é um problema, já que você gasta esse valor todo mês), e vai ao mercado gastar os usuais R$400 mensais.

Saldo inicial               R$ 1.300

Calça Jeans               R$ -200
Saídas                       R$ -100
Mercado                    R$ -400

Saldo final                  R$ 600 

Na semana seguinte você paga então o aluguel (R$300), o telefone (R$100), e termina de gastar os valores com transportes (R$200).

Saldo inicial                R$ 600

Aluguel                      R$ -300
Telefone                    R$ -100
Transporte                 R$ -200

Saldo final                   R$ 0

E aí, perto do final do mês chega o boleto para pagar os R$150 da academia! Seu saldo está zerado, e você agora tem duas simples opções: cancela a academia (se for possível) ou encaixa os R$150 no cartão de crédito.

O que aconteceu? Porque foi necessário entrar no cartão de crédito? A sensação é de que o dinheiro foi embora, que o salário não foi suficiente para pagar todas as contas do mês.

Visualize o seguinte pensamento surgindo na mente: “Preciso ganhar mais, o que eu ganho não está sendo suficiente para pagar minhas contas…”.

b)   Consultando suas categorias

Imagine agora que você resolve pensar melhor e analisar suas categorias (criadas conforme os outros posts da série: Parte 1 e Parte 2) antes de comprar a calça jeans. Suas categorias estão divididas da seguinte forma:

CATEGORIA               R$/mês
Moradia (aluguel)         R$ 300
Transporte                  R$ 200
Telefone                     R$ 100
Saídas                        R$ 100
Academia                   R$ 150
Mercado                     R$ 400
Roupas                       R$ 50

GASTOS/RENDA        R$1.300

Veja que apesar de ter os R$1.300 no banco, você possui apenas R$50 disponível na categoria “Roupas”. Se você quiser ser rígido com seus números você pode simplesmente decidir não comprar a calça jeans (talvez ela não seja assim tão importante).

No entanto, digamos que você gostou muito da bendita calça e quer encontrar uma forma de compra-la. Você terá então que reduzir R$150 de outra(s) categoria(s) e aumentar R$150 na categoria “Roupas” (levando-a a R$200).

Ao analisar cada categoria você decide que pode economizar R$100 nos gastos com mercado (diminuindo seu valor de R$400 para R$300) e que pode economizar R$50 em saídas (diminuindo o valor desta categoria de R$100 para R$50). Veja abaixo como ficaria:

CATEGORIA               R$/mês
Moradia (aluguel)         R$ 300
Transporte                  R$ 200
Telefone                     R$ 100
Saídas                        R$ 50     (R$ 100 – R$ 50)
Academia                   R$ 150
Mercado                     R$ 300   (R$ 400 – R$ 100)
Roupas                       R$ 200  (R$ 50 + R$ 100 + R$ 50)

GASTOS/RENDA        R$1.300

Seu saldo final continua sendo os mesmos R$1.300, ele está apenas distribuído de forma diferente. Tendo os R$200 disponíveis na categoria “Roupas” você pode comprar a calça jeans que tanto quer! A diferença deste exemplo (analisando as categorias) pro exemplo anterior (analisando o saldo do banco) é que dessa vez você sabe exatamente onde e quanto terá que economizar (R$50 em saídas e R$100 nas compras do mercado). Você pôde escolher conscientemente comprar ou não.

Analisar o dinheiro que você tem disponível através da distribuição entre categorias irá permitir que você faça suas próprias escolhas. Olhando apenas o saldo do banco é bem provável que você perceba tarde demais que não tem mais escolha.

A calça jeans é apenas um exemplo. Estão também aqui todas as despesas excepcionais que não estão normalmente incluídas no planejamento mensal, como quaisquer presentes (seja para você, seja para outras pessoas), saídas e festas, jantares e almoços mais caros, ou outros.

Uma pessoa muito sábia (minha mãe) uma vez disse: “Muitas vezes nós optamos, mesmo que inconscientemente, por não enxergar o que está diante dos nossos olhos, porque dá muito trabalho. Depois reclamamos, colocamos a culpa nos outros, e seguimos como se nada fosse responsabilidade nossa.”.

Esqueça, então, o saldo do seu banco, e pare de pensar que você não ganha o suficiente para bancar suas contas. Seja responsável, tome as rédeas da sua vida financeira. Anote, planeje, analise e faça a escolha certa!

Seja chefe do seu dinheiro!

Leia as outras partes da série “Seja chefe do seu dinheiro”:
 – Parte 1: Anote seus gastos em categorias
 – Parte 2: Gaste menos e destine tudo
 – Parte 3: Esqueça o saldo do banco (este post)

Você ainda acha que pode confiar no que o saldo do seu banco “diz”? Curta, comente, compartilhe!

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