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Seja inteligente com seu aumento

Você já pensou que um aumento salarial hoje pode representar uma redução de padrão de vida no futuro? Irônico, não? Veja como garantir que isso não aconteça!

Seja inteligente com seu aumento

O que acontece na maioria dos casos quando o salário aumenta? As despesas aumentam! Você trabalhou e batalhou muito por esse aumento, e agora está na hora de curtir esse “bônus” mensal! Você pode renovar seu guarda-roupas, parcelar aquela TV, comprar uma geladeira nova, financiar um carro novo! Quantas opções!

O que acontece na maioria dos casos é que o aumento é rapidamente incorporado ao seu dia a dia e, após o primeiro mês, já foi absorvido também nos gastos mensais. Em pouco tempo você já está sonhando novamente com o próximo aumento! Sem falar nos casos em que o saldo extra é utilizado para ajudar a pagar as dívidas do cartão de crédito e do cheque especial, mas que acaba permitindo o início de outras novas e maiores dívidas.

Somos (financeiramente) insaciáveis

Nós somos todos insaciáveis, queremos sempre mais. Nos acostumamos rapidamente a novos padrões de vida e em pouco tempo já nos sentimos como se aquela nova situação fosse a que sempre tivemos.

Se tivermos uma renda mensal de R$2.000, queremos R$3.000. Se a renda atual for de R$3.000, precisamos de R$4.000. Se for de R$10.000 buscamos R$12.000! E esse desejo segue sem limites! Em alguns casos o aumento é “necessário” para subir o padrão de vida (o atual já se tornou comum), enquanto que em outros casos ele é necessário para pagar um aumento precoce no padrão de vida, adquirido antes do tempo através de dívidas.

No fim, estamos sempre procurando aumentar nosso padrão de vida. Não que isso seja algo errado, afinal de contas é isso que move pra frente nossa sociedade capitalista (apesar de às vezes parecer que estamos andando para trás). Essa busca eterna pelo crescimento no padrão de vida deve, no entanto, ser equilibrada e consciente. Uma pessoa que recebe R$5.000/mês pode ser mais, menos ou tão feliz quanto outra que ganhe R$10.000/mês. A primeira está tão acostumada com seu padrão de vida quanto a segunda, e ambas estão em busca do crescimento.

O que fazer com um aumento salarial?

A minha sugestão é: ao receber um aumento, não comece já alterando seu padrão de vida. Antes de se acostumar com a “nova vida”, separe seu saldo extra para dar atenção ao seu futuro!

Escrevi recentemente um artigo sobre 6 escolhas inteligentes do que fazer com seu dinheiro. São questões importantes como aposentadoria, estudos, reservas para imprevistos e outros. Ao definir certos objetivos na vida, você poderá calcular quantos reais por mês devem ser direcionados para esses objetivos. Se quiser, por exemplo, se aposentar aos 50 anos, é possível que necessite investir R$500/mês. Para investir essa quantia, o que é mais fácil: reduzir em R$500 seus gastos mensais, reduzindo assim seu padrão de vida? Ou aproveitar um aumento salarial de R$500 e já direcioná-lo para seu investimento de aposentadoria?

O ser humano se acostuma facilmente com um novo padrão de vida se ele for melhor, não se ele for pior. É muito mais fácil se acostumar a almoçar em restaurantes melhores e mais caros do que ter que se desacostumar a fazer isso, voltando a comer em restaurantes piores.

Você hoje já está acostumado com seu padrão de vida. Considerando que você já controla seus gastos e gasta menos do que ganha, você possui uma enorme liberdade para destinar seus aumentos de renda para seus objetivos futuros!

Quanto antes você pensar nos seus objetivos, no que deseja para sua vida e no tamanho que você quer que seja sua coluna de ativos (e na velocidade que você quer que ela cresça), mais fácil será equilibrar suas “vontades” do presente com seus “sonhos” para o futuro.

Seja inteligente com seu aumento

Imagine que você batalhou muito em sua vida e hoje ganha (e gasta) R$7.000/mês. Ao começar a pensar no futuro você calcula que será necessário guardar em torno de R$2.500/mês para realizar seus sonhos (aposentadoria, reservas, estudos, imóvel, viagens…). Não será fácil reduzir esse valor em seus gastos, já que pode representar uma considerável diminuição no seu padrão de vida. Você terá que reduzir a quantidade de compras que faz, reduzir a quantidade de saídas, mexer no orçamento do mercado. É possível inclusive que tenha que vender seu carro atual para trocar por um mais barato.

Agora, volte no tempo. Alguns anos atrás você ganhava R$3.000/mês. Nessa época, você definiu muito bem seus objetivos futuros e calculou que uma reserva mensal de R$2.000 seria necessária para realizar seus sonhos (o valor é menor, pois quanto mais tempo você tiver, menos necessita guardar!). De lá pra cá, você conseguiu diversos aumentos salariais, chegando nos R$7.000 atuais. A diferença é que no caminho você foi destinando parte de seus aumentos para seus investimentos (seus sonhos), como no exemplo abaixo:

INÍCIO > Salário: R$3.000 – Despesas: R$3.000 – Investimentos: R$0

1º Aumento > Salário: R$4.000 – Despesas: R$3.500 – Investimentos: R$500

2º Aumento > Salário: R$5.000 – Despesas: R$4.000 – Investimentos: R$1.000

3º Aumento > Salário: R$6.000 – Despesas: R$4.500 – Investimentos: R$1.500

4º Aumento > Salário: R$7.000 – Despesas: R$5.000 – Investimentos: R$2.000

Veja que em nenhum momento foi necessário reduzir o padrão de vida, ao contrário, ele melhorou a cada aumento, junto com seus investimentos. O mais importante é: no final você estaria tão acostumado com seus gastos mensais, com seu padrão de vida, quanto estaria na situação anterior. No entanto, nesse caso, sua vida está equilibrada entre o presente e o futuro!

Qual o melhor momento para destinar melhor os aumentos na sua renda? 10 anos atrás! E qual o segundo melhor momento? A partir de agora! (parafraseando Michael Hyatt)

Não quero dizer que você tenha que viver hoje só de pão e água para ter um bom futuro. O objetivo desse artigo é sugerir que você não pense apenas no presente, principalmente quando receber um aumento, mas que adicione seu futuro “às variáveis da equação”.

Como você faz para definir o equilíbrio entre o presente e o futuro? Quão rápido você incorporou seu último aumento na sua vida?

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