Home » Liderança » Mudança de Paradigma

Mudança de Paradigma

Quanto valor você dá para o que passa na sua mente e molda as suas ações? Quanta importância você dá para os seus paradigmas?

Mudança de Paradigma

Um dos conceitos mais importantes que adquiri com a leitura do livro “Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes”, de Stephen Covey,  foi a importância de, proativamente, buscar na raiz, e não nas ações, a fonte para mudanças de hábitos que temos no dia a dia. Em seu livro, Covey chama isso de “Mudança de Paradigma”.

A mudança de paradigma está baseada na ideia de que nossas ações e reações são influenciadas por fortes fontes internas, ou paradigmas, que determinam nossa moldura mental, nos fazendo agir sempre de uma certa forma.

A raiz das ações

No livro, Covey conta sobre o ocorrido em uma manhã de domingo, quando andava no metrô de Nova York. Olhando ao seu redor, percebeu que o ambiente estava  tranquilo e silencioso, e as pessoas sentadas, lendo jornais ou divagando.

Em uma das paradas, entrou no vagão um homem com algumas crianças.  Estas se comportavam mal, gritando e fazendo bagunça, o que mudou subitamente o clima ali existente.

O homem, pai das crianças, sentou-se no banco ao lado de Covey e fechou os olhos, aparentemente ignorando a situação enquanto as crianças continuavam fazendo algazarra, incomodando a todos, correndo de um lado para outro, atirando coisas e chegando até a puxar o jornal de alguns passageiros.

Covey ficou indignado com o fato de o homem  não fazer absolutamente nada no sentido de controlar o comportamento dos filhos. Não conseguia acreditar que tal pessoa podia ser tão insensível a ponto de deixar as crianças incomodarem os outros daquela forma. Era facilmente perceptível que os outros passageiros também estavam irritados.

O autor se conteve durante um tempo e, quando não conseguiu mais se segurar, perguntou ao homem se ele não poderia dar um jeito nas crianças.

O homem olhou para Covey, como se estivesse saindo de um transe, e disse calmamente:

“Sim, creio que o senhor tem razão. Acho que deveria fazer alguma coisa. Acabamos de sair do hospital, onde a mãe deles morreu há uma hora. Eu não sei o que pensar, e parece que eles também não conseguem lidar com isso.”

Instantaneamente todas as ações de Covey mudaram. Da raiva, irritação e incômodo, passou a agir baseado em compaixão e solidariedade. De repente, não havia mais a necessidade de controlar seus sentimentos, suas ações.

Seu paradigma havia sido mudado.

Mudando a raiz

Recentemente escrevi dois posts sobre como “conversar com a própria mente” para liderar a si mesmo (“Saiba SE liderar” e “Saiba SE liderar – Na prática“). O objetivo de propor aqueles 5 passos é exatamente esse: entender o porque fazemos o que fazemos, do jeito que fazemos (paradigmas), e trabalhar esses “paradigmas” de forma a mudar nossos hábitos e viver uma vida mais feliz.

No caso de Covey, seu paradigma foi alterado devido a uma influência externa, a algo que aconteceu no ambiente, transformando-o de fora para dentro. Muitas vezes, em nossas vidas, somos também impactados por mudanças externas que acabam por transformar alguns de nossos paradigmas, mudando nossa forma de agir.

Um homem, por exemplo, logo após ter um filho, passa a viver com mais cautela, sendo mais atencioso no trânsito, dedicando-se mais ao trabalho, se arriscando menos. Suas ações mudam a partir da mudança de um paradigma em sua vida. Pais que perdem um filho ou pessoas que sabem que estão morrendo também mudam seus paradigmas a partir de eventos externos.

Entendo, no entanto, que é importante não depender da ocorrência de situações externas para melhorar padrões de pensamentos e ações que, de alguma forma, não nos fazem bem. Ao aceitar que existam tais paradigmas internos e, da forma mais honesta possível, investir tempo para conhecê-los e mudá-los, poderemos moldar a nossa vida da forma que quisermos.

Se nos olharmos cuidadosamente, veremos que a grande maioria possui diversas explicações para os problemas que temos na vida. Culpamos o ambiente, culpamos os pais, culpamos o trabalho, culpamos a escola… culpamos sempre alguém ou algo externo. Fazer isso é muito mais fácil do que admitir que possuímos o controle da nossa própria vida, que cabe a cada um a responsabilidade de mudar aquilo que quer que seja diferente . O problema é que ao culparmos os outros, perdemos o poder sobre a mudança e ficamos dependentes das variáveis externas. 

Acredito, de coração, que aceitar como responsabilidade própria resolver tais problemas e gastar mais tempo descobrindo nossas razões internas nos coloca a todos em outro nível, deixando para trás esses, agora antigos, problemas.

A diversos amigos, já sugeri escreverem uma conversa consigo mesmos. É impressionante como para muitos é difícil simplesmente sentar e escrever. Aparentemente é algo que toma muito tempo, e que não vale a pena. E o resultado é que os vejo repetindo, inconscientemente, as mesmas atitudes, esperando sempre resultados diferentes.

Buscando entender

Em 2008 fui aceito em um programa de Trainee de uma multinacional localizada na Alemanha e me mudei para lá, onde fiquei por quase 1 ano. Nos 2 primeiros meses eu não tive amigos. Morava em uma república com vários idosos e no trabalho todos, além de consideravelmente mais velhos que eu, não compartilhavam muito da vida pessoal; viviam isoladamente focados nas atividades que tinham que fazer. Além disso, havia outro problema: eu ainda não falava nada de alemão.

Aconteceu então que acabei sendo forçado a ficar um bom tempo sozinho. Tomava café da manhã sozinho, jantava sozinho e passava os finais de semana sozinho. Aos poucos, sem perceber, isso foi me incomodando, mexendo comigo. Comecei a me auto-boicotar de diversas formas. Quem já esteve em um país estrangeiro, completamente só, por motivos alheios a sua vontade, sabe do que eu estou falando.

Quando percebi que isso estava interferindo, e muito, no meu bem estar, comecei a procurar as razões desse sentimento e encontrei um grande paradigma meu que dizia que pessoas que vivessem sozinhas eram infelizes, menores, piores, ignoradas pela sociedade. Acreditando nisso, eu estava começando a agir como tal!

Se não tivesse ido atrás da raiz do que estava acontecendo e tivesse simplesmente tentado resolver o problema de forma superficial, poderia ter buscado a companhia de qualquer pessoa que aparentemente suprisse essa carência, correndo o risco de me envolver com drogados ou marginais, ou com pessoas que não compartilhassem os mesmos valores que eu, só para não ficar sozinho.

Identificar e agir sobre essa “realidade”, tomando para mim a responsabilidade de mudar meu paradigma, mudar a razão das minhas ações, foi a melhor coisa que eu fiz naquele momento. Passei automaticamente a viver mais feliz e a aproveitar meu tempo sozinho de forma positiva, me conhecendo, me estudando, me entendendo. E lendo ótimos livros!

Passei a encarar aquela realidade de uma forma completamente diferente. Foi uma experiência riquíssima que, além de tudo, me preparou muito bem para os meses restantes, quando encontrei pessoas que se tornaram não só ótimos amigos, mas com quem mantenho contato até hoje.

Você já passou por alguma mudança de paradigma? Adoraria ouvir sua história!

Comente!

Posted in Liderança and tagged as , , , ,