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O Banco da sua vida

Suponha que você possua uma conta corrente para cada pessoa com quem se relacione. Sua vida será mais fácil se, em meio aos diversos depósitos e retiradas diários, você garantir que os saldos dos seus relacionamentos sejam sempre positivos!

Conta emocional

Stephen Covey, em seu livro “Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes”, faz uma ótima comparação entre contas bancarias e relacionamentos.

De acordo com Covey, para cada relacionamento que temos há uma conta emocional. Essa conta aceita depósitos e retiradas. Os depósitos são representados por atitudes positivas, como fazer favores para o outro, ajuda-lo, dar atenção, etc. Se você ajuda alguém que acabou de conhecer, leva o saldo dessa conta de zero para positivo.

Se, no entanto, após ajudar essa pessoa você começa a cobrar favores, você “gasta” o saldo, fazendo retiradas. Dependendo do tamanho dos pedidos essas retiradas podem levar o saldo de volta para zero ou até negativá-lo. Atitudes que “gastam” o relacionamento, como cobrar favores, magoar, não dar atenção, etc, representam retiradas do banco emocional.

Nenhum relacionamento, assim como nenhuma conta bancaria, sobrevive somente com retiradas. O problema é que poucos levam em consideração os saldos de suas contas emocionais, seja em casa com a família, no trabalho com os colegas, com o chefe, com os liderados ou nos encontros com os amigos.

O chefe “injusto”

Conheço algumas pessoas que adoram fazer retiradas e não dão valor – ou se esquecem – dos depósitos. Lembro bem de uma história que aconteceu comigo, onde a falta de depósitos fez toda a diferença. Havia uma demanda grande na qual a equipe em que eu participava já estava trabalhando há um tempo. A conta emocional do chefe com a nossa equipe era claramente negativa, já que ele não investia tempo em realizar depósitos.

Em uma sexta-feira, ele pediu que trabalhássemos durante todo o final de semana, para tentar concluir a tal grande demanda antes do início da semana seguinte. Seguindo o raciocínio proposto acima, um pedido desses é uma enorme retirada da conta de relacionamento com qualquer pessoa. Se o saldo da conta emocional chefe-equipe  estivesse alto, ou seja, se o chefe tivesse bastante crédito com a equipe, o trabalho no final de semana apenas “gastaria” um pouco desse crédito.

No entanto, essa conta já estava negativa devido à falta de depósitos que compensassem as diversas retiradas diárias. A equipe, sem coragem de dizer “não” para o chefe, aceitou o pedido, negativando mais  ainda o saldo da conta emocional.

No final de semana, portanto, era possível perceber que havia pouco comprometimento com o que estávamos realizando. O trabalho não foi nada eficiente. Se o pedido do chefe tivesse sido feito a partir de um saldo positivo, é bem possível que o comportamento do grupo fosse outro e que todos estivessem realmente preocupados em ajudar a empresa, em atender a demanda. Naquele momento, no entanto, os membros da equipe se sentiam “injustiçados”.

Infelizmente, não foi possível terminar o trabalho no final de semana. Na segunda-feira, o chefe, ao invés de tentar diminuir o saldo negativo com a equipe dando o merecido reconhecimento pelo esforço do final de semana, fez outra grande retirada: deixou bem clara a sua frustração com o resultado apresentado, dando um “sermão” sobre a falta de comprometimento do grupo.

Mantenha o saldo positivo

É possível que o chefe estivesse certo em todas as suas colocações. É possível que a empresa realmente precisasse de um esforço extra para terminar o projeto naquele final de semana. É possível que ele realmente tivesse razão de ficar frustrado com o fato da equipe não ter terminado o tal projeto. É possível, e até provável, que ele também tivesse razão com relação a falta de eficiência, de produtividade e de comprometimento da equipe.

No entanto, todas as suas colocações representavam retiradas da conta emocional, por mais verdadeiras que fossem. Um ser superior talvez conseguisse simplesmente refletir e absorver a verdade contida nas observações e reprimendas do chefe. Mas nós, pessoas normais, interpretamos tais observações e reprimendas apenas como retiradas sobre retiradas da conta de relacionamento chefe-equipe. “Damos duro no projeto, trabalhamos no final de semana a contragosto, e só o que recebemos é uma bronca?” era o pensamento geral.

Hoje, a uma distância considerável do ocorrido, é mais fácil para mim entender que o chefe tinha uma certa dose de razão (mesmo que outros membros da equipe ainda pensem o contrário). No entanto, naquele momento, a nossa conta chefe-equipe  não tinha saldo positivo o suficiente para ele fazer as retiradas que precisava.

É mais fácil receber um feedback negativo (uma retirada), refletir e admitir que se está errado quando  o feedback é dado por uma pessoa com quem possuimos um saldo positivo. É importante para o líder estar atento ao saldo da conta emocional que possui com seus liderados, pois de tempos em tempos poderá ser necessário fazer retiradas, como as da história acima. E contas negativas são sempre um problema!

Todos os tipos de relacionamentos

A mesma visão se aplica a todos os tipos de relacionamentos, como entre amigos, cônjuges, ou pais e filhos.

Não sou pai ainda, mas já fui um filho difícil (certo, mãe?), e consigo ver a importância de se manter a conta pais-filhos com saldo positivo. Fazer isso demanda, provavelmente, muito mais esforço, tempo e dedicação do que com outros relacionamentos, mas permite que as retiradas necessárias para a educação do filho sejam absorvidas da melhor forma possível, sem causar rombos irreversíveis no saldo final.

Como anda o saldo da sua conta emocional com as pessoas mais importantes da sua vida? Você tem procurado mantê-lo sempre positivo?

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