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Relaxe, pressuponha o bem!

Ser feliz é um ato diário que demanda, dentre várias outras atitudes, livrar-se de estresses desnecessários, especialmente aqueles decorrentes do relacionamento com outras pessoas! Veja como utilizar a mudança de paradigma para presumir o bem, relaxar e ser mais feliz!

Presuma o bem

E de repente aparece aquele famoso “apressadinho” atrás de você. Você olha no retrovisor e percebe que, mesmo ainda distante, ele já está piscando o farol alto, querendo que você saia da frente. Com raiva, você emparelha com o carro da direita só para ensinar a ele uma boa lição: a de que não deve correr no trânsito!

Ele gruda na traseira do seu carro e continua piscando o farol alto ziguezagueando entre uma faixa e outra, à procura de uma brecha para avançar desejando, quase que desesperadamente, que você saia da frente para ele passar. Devagarzinho, você termina de ultrapassar o veículo da direita e liga o pisca, avisando que vai passar para a outra faixa.

Mais lentamente ainda, com o claro objetivo de irritá-lo, você começa a mudar de faixa. Tão logo possível, ele acelera o carro, sem deixar de reclamar com você na passagem. Sua raiva aumenta um pouquinho, mas você cumpriu sua missão – ele recebeu o que merecia!

Mas… e se você soubesse que esse motorista recebeu uma ligação momentos antes, na qual lhe informaram que seu filho havia sido atropelado, levado ao hospital e, apesar de ainda estar acordado, não tinha muito tempo de vida? E se você soubesse que tudo o que esse motorista queria era chegar a tempo de se despedir do filho?

Aí muda tudo, não? A raiva se transforma em remorso, aquela vontade de “mostrar o que é bom pra tosse”, de dar uma bela lição de moral, simplesmente desaparece. O sentimento de compaixão rapidamente toma conta de você, junto com uma grande vontade de ajudar.

Isso é a mudança de paradigma.

Chefe difícil

De acordo com minha amiga, sua chefe é ótima para mostrar os erros de seus subordinados. Já os acertos (ou os seus próprios erros) passam sempre despercebidos..

Ainda segundo essa amiga, nenhum dos colegas gosta dessa chefe. Para eles, ir trabalhar é sempre uma dificuldade, pois ficam imaginando como serão destratados naquele dia. Receber, e seguir, as ordens da chefe depende sempre de um grande esforço; consequentemente, a qualidade do trabalho acaba sendo prejudicada, e o rendimento cai..

No entanto, minha amiga conta que ela e um colega, ao contrário da maioria, não têm qualquer dificuldade em lidar com a chefe. A principal diferença entre aqueles e esses é que ela e o colega resolveram enxergar além das ações desagradáveis da chefe.

Eles simplesmente presumiram que a chefe age dessa forma por falta de autoconfiança causada, provavelmente, por experiências infelizes ocorridas no passado, onde possa ter sofrido algum trauma, sido vítima de preconceitos ou talvez até de bullying.

Ao invés de enxergar somente as ações, eles tentaram ir além e enxergar também as raízes dessas ações, conseguindo, assim, lidar melhor com a situação, apesar de também não gostarem da forma como eram destratados. Ao invés de simplesmente reagir, eles optaram por agir proativamente, objetivando melhorar o ambiente de trabalho e ajudar a chefe no desafio de superar sua insegurança e seus medos.

É possível que a chefe não tenha tido experiências ruins, e é possível também que ela não tenha razões para agir como age. É possível ainda que minha amiga e seu colega estejam completamente errados em relação a ela. Mas, na verdade, será que faz alguma diferença eles estarem certos ou errados? Penso que não! Acredito que pelo fato de procurarem encarar a situação sob um outro ângulo, passaram a ter um dia-a-dia mais agradável no trabalho.

Simplesmente presuma o bem

Veja que no primeiro caso, o do motorista apressado, o sentimento negativo de raiva some no momento em que se descobre a razão de sua pressa. O caso da minha amiga não é diferente: para aceitar a chefe problemática, ela e o colega imaginaram dificuldades passadas que a teriam levado a agir assim.

O que acontece normalmente, no entanto, é que você raramente descobrirá porque o motorista está correndo, ou porque o chefe age dessa ou daquela forma. Tudo o que você pode fazer, portanto, é usar a imaginação, preferencialmente para o bem.

Em ambas as situações, ao pressupor que as pessoas não são simplesmente más, você sai ganhando. No pior dos casos, você passa a controlar melhor suas emoções e, no melhor, pode terminar ajudando a outra pessoa!

Todos passamos por dificuldades na vida, alguns mais outros menos, e uns lidam melhor que outros com essas situações. Eu realmente acredito que nascemos todos com um coração voltado para o bem. Nossas experiências vão continuamente nos moldando, sejam elas boas ou ruins.

Se mantivermos plena atenção aos ensinamentos deixados por essas experiências, mais felizes seremos e menos necessidade teremos de devolver ao mundo algum golpe recebido. Seremos pessoas mais compassivas e amorosas com os outros e conosco mesmos.

Se você focar nas razões das pessoas, não nas ações, e pressupor que no fundo elas querem o bem, viverá mais relaxado, com menos medo, com mais esperança e mais fé.

E como fazer isso?

Sempre que alguém fizer algo que você ache errado ou com o que não concorde, presuma alguma razão para a pessoa estar fazendo aquilo. Presuma que todos são boas pessoas, que podem apenas ter passado ou estar passando por situações difíceis na vida.

Um “moleque” roubou a padaria? Deve estar levando comida para sua família. Seu cônjuge gritou com você? Deve estar passando por um período estressante no trabalho. O carro da frente está a 20km/h? Deve ser um velhinho que não tem quem dirija para ele. Você não gosta da forma como seu chefe age? Pense por quais dificuldades ele possa ter passado ou estar passando, e que o levam a agir assim.

Presuma sempre o bem, não o contrário, e o mundo ao seu redor se transformará.

Não acredito que os fins justifiquem os meios, nem que um passado difícil justifique fazer o mal ao outro. É possível que, mesmo com uma boa explicação, a pessoa ainda tenha que pagar por suas atitudes equivocadas. Lembremo-nos, no entanto, que a vida não é um tribunal e que não estamos aqui para julgar ninguém

Você é diariamente agraciado com a oportunidade de presumir o bem ou o mal. Facilite sua vida, escolha o bem, relaxe, e seja mais feliz!

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  • Barbie Californiana

    Costumo praticar “O jogo do contente” que nem a Poliana, sabe? Podemos tirar bom proveito até do que, num primeiro momento, parece ser ruim… Gostei do texto, Rafa. Abraços.

    • http://rafaeldanigno.com.br/ Rafael Danigno de Paula e Silv

      Não conhecia o “jogo do contente”, Barbie, mas dei uma pesquisada e achei o livro, que parece ser bastante interessante! Abraços!